Caixas de Boxe permanece em Olaias

Este Projecto Associado que atravessou o Atlântico era para ser temporário, mas lutaram (não literalmente) para que permanecesse. Caixas de Boxe é tanto um ginásio, como uma instalação em espaço público que escolheu o Bairro Portugal Novo para se dar a conhecer. Considerado como uma ferramenta para unir a comunidade de Olaias, uma zona marginalizada da cidade de Lisboa, o arquitecto Mexicano Daniel De León Languré foi o seu mentor: instalar um ginásio ao ar livre, um gesto que visou envolver desde logo agentes e residentes locais.

Daniel de León Languré © Hugo David

Resultado de três anos de pesquisa, o projecto advém da tentativa de colocar a arquitectura na confluência da tradição pugilística local como possível resposta à escassez de infraestrutura recreativa e a necessidade de fornecer novos pontos de vista no combate à desintegração social. Do México para Portugal, o arquitecto trouxe um novo esquema desportivo que olha para o boxe como um instrumento valioso de activação espacial e cívica para todas as idades, onde os utilizadores podem encontrar um equilíbrio entre o prazer e restrição, a esfera individual e a colectiva, o stress urbano e a natureza humana lúdica.

Para o ajudar na sua implementação, o projecto contou com a ajuda de Sofia Costa Pinto da associação EDA (Ensaios e Diálogos), que tem desenvolvido diferentes iniciativas de intervenção social e urbana nos últimos seis anos na Margem Sul, e de António Brito Guterres, investigador em estudos urbanos e territórios colaborativos no ISCTE. Edificado em 1980, o Bairro Portugal Novo foi o local escolhido pelas carências evidentes e para que fosse possível trabalhar na coesão da comunidade proveniente de diferentes territórios e culturas, desde etnias ciganas, africana e indiana. Uma das preocupações deste projecto, motivo também pelo qual Caixas de Boxe foi uma das propostas escolhidas da Trienal 2019, relaciona-se com a criação de um espaço que favorece o movimento e a dinâmica social e se activa através de normas da sociedade.

Caixas de Boxe © Hugo David

Em declarações ao jornal Público, Daniel De León Languré admitiu que “quis conhecer as pessoas. Há conflitos, problemas de adição, desemprego. A estrutura não vai resolver isso” mas a ambição é a de quebrar barreiras, dentro e fora do bairro. “São os moradores que escolhem a forma como se apropriam da estrutura e do espaço: se a mantém, melhoram ou modificam”. António Brito Guterres, classifica a estrutura proposta como uma mais valia porque “é uma experiência com carácter experimental que pode chamar a atenção para este bairro e abrir possibilidades para futuras intervenções no espaço público”.

Caixas de Boxe © Hugo David

Inaugurado a 4 de Outubro de 2019 e com data prevista de encerramento para dia 12 do mesmo mês, o projecto alavancou um esforço comum reunindo a recém-formada Associação de Moradores do Novo Bairro, vice-presidida por Arminda Lima e a comunidade local. Em conjunto, estão a lutar para que permaneça: pela não temporaneidade desta forma de convívio dado que proporciona um desenvolvimento de laços culturais locais mais fortes, porque, tal como enaltece o diário “Para educar uma criança é preciso envolver a escola, os pais e também a rua”.

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